Fui ao Mial, uma terra da grande terra de Bustelo da Lage. Aproveitei a brisa da manhã para subir mais ao alto da serra. Caminhei entre as pedras dos caminhos e das águas vindas das nascentes que livremente os refrescam. Pisei as ervas dos lameiros e descansei junto do Pedro, do Josselino e do Luciano, que guardavam o gado. Conversamos coisas de falar, enquanto o olhar percorria a serra em redor. E sempre…Os tons, as formas, as pedras grandes e…o descansar…Eles continuaram na serra, sentados, eu retomei o caminho até mais além. Cheguei ao buraco, ía cavar o barro, extraí-lo da própria terra com as minhas mãos. barro de tons ocres, branco e prata. As mãos iam-se prateando a cada contacto com a matéria. Os sulcos marcados, os veios, a cor, está tudo ali, a brilhar para nós, em silêncio. Transportando o barro, retomei o caminho vindo encontrar-me com os homens do gado que regressavam a casa. Agora, vou peneirar, amassar, mexer no barro e usá-lo no ritual da obra.
• Sem título, acrílico, cana, barro do Mial, pólvora e planta seca sobre madeira, 90 x 90 cm, 1992
• Sem título, acrílico, cana, barro do Mial, pólvora e planta seca sobre madeira, 90 x 90 cm, 1992


Sem comentários:
Enviar um comentário